Devo, antes de começar qualquer divagação, dizer que achei o último texto de ótimo gosto. Apesar de falar de morte, não o considerei mórbido; aliás, talvez "morte" seja apenas uma palavra, dentre tantas outras, que utilizamos para designar a despedida derradeira da nossa existência...
Falou-se em morte natural, e, nesta esteira, como a morte pode ser uma afirmação da vida, e como o ato de morrer pode significar a aceitação e a satisfação quanto a tudo o que se viveu. Os exemplos foram peitos, de Kant a Kundera. Mas não pude deixar de lembrar, no entanto, da morte de Michael Corleone, personagem criado por Mario Puzo para a grande obra O Poderoso Chefão, eternizado como um dos maiores clássicos do cinema mundial.
Sempre pensei, e também cheguei a comentar com alguns amigos, que a morte de Michael Corleone era, para mim, a morte perfeita. Se um dia eu morresse (e uso este tempo verbal com a óbvia impressão humana de que viveremos para sempre!), iria querer morrer como Michael Corleone.
Depois de uma vida conturbada e recheada de mortes trágicas (inclua-se aí, só por exemplo, quase todos os irmãos e também a filha mais nova), Michael Corleone (Al Pacino) se aposentou e passou o comando dos negócios da família para seu sobrinho, Vincent Corleone (Andy Garcia). Já velho e cansado, mudou-se para a cidade de Corleone, na Sicília, de onde viera seu pai (o saudoso Vito Corleone de Marlon Brando!), e lá ficou até sua morte.
Na cena final, Michael se senta em frente à sua casa, com o apoio de uma bengala, e fica admirando o horizonte. Após alguns minutos, que passam calmamente com o barulho do vento e da roça no interior do sul da Itália, a sua cabeça pende um pouco para o lado e sua bengala escapa de sua mão. Morre Michael Corleone, o poderoso chefão.
A interpretação de Al Pacino traduz, apesar de tudo, uma agonia extrema. A despedida de Michael Corleone é dolorosa, uma vez que sua vida inteira foi dolorosa. Esquemas de assassinatos, o abandono da família, a rejeição de seus irmãos, as vinganças e tramas sangrentas, os negócios escusos com a Igreja Católica, as investigações criminais perante a Justiça Federal dos Estados Unidos... Sua morte foi uma despedida dolorosa e, da mesma forma, um alívio. Tudo acabou.
Evidentemente, não posso considerar que toda a dor exprimida pela cena me seja o ideal de morte perfeita. Não mesmo. Entretanto, não deve haver morte mais serena do que esta, de dizer adeus sentado, com paz e calma, como quem diz à morte: pode vir, estou pronto. É o que foi dito no texto que ora comento, acerca da satisfação da vida.
Curioso como um filme permeado por mortes, sobretudo violentas, termine em tanta paz. E desde já, fica recomendado o filme!
Paulo Lindoso

Perfeito.
ResponderExcluirVi o filme a duas semanas atrás e realmente o fim é muito triste porém tranquilo. O engraçado é que já tinha visto o filme mas não lembrava do final que Michael Corleone morre.
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